sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

VIAGEM A MARTE

     Sonhei que Maracotango Pô e eu (eu e meus dois irmãos) iamos fazer uma exploração em Marte financiada pela NASA. Toda hora faziamos pequenos bate-e-volta até o planeta vermelho, como espécie de treinamento de rotina para nos prepararmos para viagem definitiva.
     Marte era cheio de gelo por todo lado, e pedras e paredões espelhados por causa do gelo, e de vez em quando apareciam vultos rapidos alienigenas que captavamos com nossas cameras enquanto tiravamos selfies (vez ou outra aparecia algum aliem subliminar em nossas fotos).
     Usavamos roupas de astronautas que eram moldadas na hora pelos cientistas da NASA, e esses cientistas ficavam o tempo todo enfiados numa sala extremamente congelada por causa dos muitos ares-condiconados usados para manter os milhares de computadores frescos.Todos os cientistas usavam apenas jaleco e tremiam de frio mas não cessavam o trabalho de jeito nenhum. Eles moldavam os trajes com uma espécie de ferro derretido que saia de um purificador de agua e caia num cocho, e alí eles pegavam uns tubos de ferro e sopravam nossas roupas até elas ganharem forma (tipo trabalho artesanal de vidraceiro).
     Então a véspera do grande dia havia chegado e fizemos a ultima viagem de treino, e neste momento lá em Marte toda a atmosfera era composta de uma pelicula gelatinosa.De repente o céu começou literalmente cair em cima de nós, e tivemos que correr antes que a gelatina celeste acabasse nos aprisionando alí pra sempre. O fenomeno me pareceu assustador, mas mesmo assim eu queria fazer a expedição que eu não sabia quanto tempo iria durar (cheguei a me preocupar, imaginem só, com as faltas que eu daria no meu serviço).
     Quando voltei para a base de lançamento, minha mãe (que era um chipanzé de vestido),
advertiu a mim e meus irmãos que quando fossemos aterrisar em Marte, tomassemos cuidado com as estrelas que ficam entre o cinturão de Kuiper, por que eram cheia de alienigenas fofoqueiros e barraqueiros.
     E finalmente quando estavamos prestes a partir, nos deparamos com um protesto de jovens revolucionarios que queriam impedir a viagem a Marte por que diziam que o Brasil era um país miseravel de mais para bancar uma viagem dessas, e que a verba desta viagem deveria ser direcionada para saúde educação e segurança (uma espécie de "não-vai-ter-copa).
     Só que eu sabia que essa viagem não tinha nada a ver com o governo, pois quem estava financiando era a NASA, mas mesmo assim a expedição foi cancelada para poder acalmar a fúria do povo! Quem acabou furiosa fui eu, e então eu estava na base de lançamento, ainda com meu traje espacial, quando apareceram vários repórteres e o líder do grupo. Inicialmente meus irmãos disseram para que eu os ignorasse, mas após responder uma pergunta, acabei disparando um monte de merda, e repórter e o líder começaram a me xingar, e a briga foi ficando cada vez pior até que eu peguei o líder do grupo pelos pés e comecei a usa-lo como porrete pra espancar os repórteres (tipo um gorilão em fúria de filmes antigos).
     Eu espanquei tanto que o líder se repartiu no meio e as vísceras dele saiu pra todo lado!Então eu peguei as tripas do cara (acho que também tinha uma réstia de linguiça ali no meio), e comecei a açoitar todo mundo com aquilo.
     Quando finalmente todo mundo fugiu, eu me dei conta que certamente seria linchada até a morte quando voltasse pra cidade, já que todo espetáculo que eu tinha feito havia sido transmitido ao vivo em rede nacional!Neste caso, só restava me suicidar, e me atirei de uma altura de 5 minutos de queda!
     No momento em que eu estava me suicidando, de repente tudo ficou preto e letras começaram a subir (tipo créditos de fim de  filme), só que ao invés de nomes de pessoas, as palavras eram um longuissimo poema sobre minha vida, embora parecesse mais uma paródia da minha própria existencia. Para ficar ainda mais bizarro, cada palavra era acompanhada pela narração de uma voz do além, e a medida em que eu estava cada vez mais próxima de me arrebentar no chão, a velocidade da voz ia aumentando, e aumentando, até que parecesse com a voz de um narrador de futebol (não lembro se gritou "é Gol" na hora em que me estatelei).
     E quando me estatelei, tudo ficou amarelo e propagandas começaram a aparecer (de maneira muito semelhante como acontece nos filmes nacionais). E as ultimas palavras que lembro de ter lido foi " Special Thanks- ORKUT".
     Então abri os olhos e não sabia se tudo aquilo tinha sido um sonho ou não (casos em que se sonha dentro de um sonho). E procurei meus irmãos para descobrir.
     O caso da NASA ter cancelado a viagem ainda existia naquela nova camada de sonho, mas pelo menos eu não havia matado ninguem naquele novo plano. Só que naquele novo plano as coisas eram bem piores, pois estavamos na Sibéria, e tudo era congelado cheio de soldados e muitos arames farpados e o tempo todo estavamos sendo monitorados.
     Era bastante frio, e meus irmãos usavam uma roupa tão grande que eles pareciam ocas-de-indio com pés e cabeça.Somente eu estava sem agasalho, mas em compensação eu era tão gorda que minha banha servia para me aquecer.
     E foi aí que conversando perto de uma janelinha num beco congelado, uma russa colocou a cabeça pra fora e resmungou o por quê estavamos fora do laboratorio (ela era uma cientista, e provavelmente nós eramos seus cobaias). Então sem ter uma desculpa melhor, eu disse:
     -É que eu sou muito gorda e tô com calor"!
     E neste momento todos nos pusemos a rir alto, tal como em desenhos antigos dos anos 80, em que a história termina sem sentido e com uma grande gargalhada coletiva! Mesmo por que meu pai entrou no quarto e acabei acordando.

FIM

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